Quanto custa

janeiro 26, 2009 at 3:17 pm (Uncategorized)

Quando as portas se abrem, quem hesita um segundo que seja, fica de pé. Calculo exatamente pra que lado vou quando entrar no metrô. Para a esquerda é melhor, bem ao lado dos assentos especiais para idosos, gestantes e outros obstáculos. Lá dentro tento adivinhar quais daquelas pessoas vão também vão para o show. O cabeludo não vai, o de boné vai, a tatuada vai e o emo não.

A famosa Rua Augusta é tão famosa quanto me disseram. Bares em todas as esquinas, lotados de gente do lado de fora (não porque não possam entrar, mas para olharem o movimento da rua, tão dinâmica quanto sei lá o quê). Descendo ainda mais a ladeira que é a Augusta começo a entender melhor a procura pelo lugar: mais casas de striptease (e afins) que igrejas em Ouro Preto. Na porta de uma delas, um homem com dentes tortos anuncia, pra quem quisesse ouvir ou pra quem fingisse não ouvir “Mesa pra casal com direito à cadeira elétrica; quem tiver sozinho ganha bucetada na cara”. Engraçado ele dizer “ganha”.

“Clube Outs”. É aqui. Entro na fila e quinze minutos depois estou lá dentro. “Quer pagar mais vinte reais e consumir quarenta?” Nunca, obrigado. Já escoro no balcão do bar pra pedir uma bebida, como manda a tradição. Cerveja: R$5. Conhaque: R$6. Os dois mais baratos, fora a água. Me recuso a pagar por água, não enquanto eu morar em cima do aquífero Guarani. Mato a sede com uma cerveja ou relaxo com um conhaque? Tanto faz, um copo só não vai cumprir nenhuma das duas funções.

Uma e meia começa o show. Junto, começa a roda punk mais generalizada e letal que já vi na vida. Dentro dela, um cara tão grande, tão careca e tão gordo que não decidi se chamo de grandão, carecão ou gordão. Ele mantinha o músculo abaixador do ângulo da boca acompanhando o contorno do cavanhaque, fazendo cara de mau. Mas até que não empurrava tanta gente, apenas rebatia quem trombava nele, num novo tipo de choque elástico. A namorada o abastecia com água, que ele bebia, por algum motivo imbecil, sem usar as mãos.

Nisso, um menino disfarçado de emo me pergunta “Aí, você tá com essa mina aí?” (apontando para uma garota ao meu lado). Não não, cara, pode ir lá. Ele então gritou algo no ouvido dela que não distigui, mas concerteza oferecendo-se à menina. A resposta não poderia ser mais clara: um beijo na boca de uma outra garota, ao lado dela. Em vez de se lamentar, o cara grita “urrulll!!!” e sai pulando com o braço levantado.

No fim do show, o vocalista abaixa as calças e nos apresenta sua bunda, pensando que a plateia acha massa. E o pior é que a gente acha. Pago a cerveja, saio e entro no primeiro táxi, ainda pensando no que deveria ser a cadeira elétrica.

Anúncios

Link permanente 2 Comentários

Minhas férias

janeiro 21, 2009 at 2:31 pm (Uncategorized)

Desde que cheguei em São Paulo fui apresentado a muita gente importante. A dentista do Gianecchini, uma ex-namorada do BBB Alemão e um cara que não sei quem é, mas como me cumprimentou sem olhar pra mim, nós dois achamos que ele é alguém famoso.

Outra coisa aqui na cidade é o pão francês. Péssimo. É a pior relação custo-benefício que já comi. Cheguei na padaria “Madame”, na qual não encontrei nenhuma, e pedi Um pão, por favor. O padeiro me olhou feio, mas não tanto quanto quando pedi só duas fatias de mussarela e uma de presunto. Talvez ele ganhe comissão, afinal.

“Capa de chuva, capa de chuva! Duas é cinco, duas é cinco!” – foi o que me prometeu o vendedor, gritando no caminho do Pacaembu. Mais tarde, já no estádio, assim que o juiz deu o primeiro apito, um homem sem camisa ao meu lado fez o sinal da cruz três vezes, seguidas de uma pequena salva de palmas. Eu queria saber qual a reação de Deus quando alguém pede para o Corinthians ganhar. Não deu dez minutos de jogo e começou a cair o maior pé d’água do Brasil. Aquele mesmo homem, o devoto, vira pra mim e diz que “sem um conhaque ou uma maconhinha não dá pra pegar essa chuva não” e foi logo comprando uma capa, que agora estava a dez reais cada.

Enfim, pra quem for para São Paulo, não coma pão francês e torça pelo Corinthians. Se sentir fome, compre um Mupy (sabor morango ou limão). Se chover no estádio, aproveite. As camisas das corinthianas são brancas.

Link permanente 1 Comentário