Entrevista: Vanessa Rabuske Araújo

abril 2, 2009 at 9:15 pm (Uncategorized)

Cloaca Pública: Cego de nascença sonha?

Vanessa: Acho que sim, mas nada visível. (risos)

Cloaca Pública: Você prefere que na sua formatura mostrem uma foto sua em nu dorsal no clip da turma nos slides ou deixar escapar um arroto no microfone durante o juramento (sendo você a juramentista)?

Vanessa: Nu dorsal, com certeza! Acho que teria mais chances de agradar, embora provavelmente não a maioria nem a totalidade da platéia, do que um arroto. Prefiro agradar do que ser escatológica.

Cloaca Pública: Qual é o seu palavrão favorito?

Vanessa: (risos) Tem vááááários! Quase impossível eleger um só. Pode dois principais? Porra e caralho são clássicos!

Cloaca Pública: Por quê?

Vanessa: Porra, Nilo, pergunta cretininha, hein? Acho que é porque devo gostar de ambos. (risos) Tou brincando, não põe isso!

CP: É melhor ser irmã mais nova do Lídio Mateus ou filha do Inri Cristo?

Vanessa: O Lídio é aquele pirralho muito besta que faz videozinhos por aí e põe na net, né? Eu acho que preferiria ser irmã do Lídio, teria um show de talento na minha própria casa.

CP: O que você diria para o Capeta?

Vanessa: E aí, meu filho, vamos tomar uma ceva ali com o pessoal?

CP: Lembre-se de que ele é feio e fede.

Vanessa: Isso é coisa do inconsciente coletivo, eu tenho uma imagem bem bacana do Diabo. Um cara bem no stress, bem malandrinho. Acho até que me daria bem com ele. Gente fina!

CP: Mancar da perna direita ou ser banguela do incisivo central superior?

Vanessa: Bah, essa é foda, mas com o progresso das práticas odontológicas, acho que ficaria com o buraco no sorriso, depois era só pagar uma prótese e aparafusá-la. Mancos são sempre mancos, pense nisso.

CP: Se te dessem dois mil reais para obrigatoriamente serem gastos em nove minutos, você compraria o quê?

Vanessa: Ia dar o dinheiro pra algum cirurgião plástico das minhas amigas que já colocaram silicone e diria que com o tempo viriam os outros três mil.

CP: Dançarina do É o Tchan ou atendente do tele-sexo?

Vanessa: Puta merda… ia começar como dançarina até foder de vez com os meus joelhos… depois ia partir pro tele-sexo.

CP: Cospe ou engole?

Vanessa: Depende (risos).

CP: Como assim?

Vanessa: Justificativa imprópria para menores. O blog não deve ter restrição, né? Viu, bizarramente sou uma pessoa politicamente correta!

CP: Agora a última: por que mulheres só vão de duas ao banheiro?

Vanessa: Perguntou pra mulher errada! Eu amo ir sozinha ao banheiro, dar a minha própria voltinha e ser independente. Mas quando vamos de duas ou três há duas razões: falar mal de alguma outra mulher lá dentro ou falar do cara com quem estamos, se é bom, se é ruim, se precisa da ajuda da amiga pra dar um chega pra lá, ou seja: pra contar as novidades.

CP: Então você costuma resolver com o cara ou com a menina idiota sozinha?

Vanessa: Com o cara normalmente me viro sozinha, mas a “menina idiota” não merece que eu vá lá avisá-la que ela é idiota ou que eu reclame pra ela. O objetivo é rir dela no banheiro, e não tentar mudá-la. As pessoas costumam encarar as críticas que te magoam negativamente, mas é a única forma de a pessoa se dar conta de que pode estar sendo imbecil e tentar melhorar. E meu objetivo é que a “idiota” continue idiota pra ser sempre diver falar dela!

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Loira

abril 2, 2009 at 3:24 pm (Uncategorized)

Esse é o último casamento ao qual venho – pensei. Do noivo, nunca tinha ouvido falar. A noiva, uma prima com quem conversei cinco ou seis vezes. O principal problema foi tratar-se de um casamento de rico. Detesto ricos. Tudo o que eles fazem é desprezar: despreza-se a hora certa de chegar, despreza-se a comida do buffet, desprezam-se as convidadas que vieram em vestidos repetidos. A cerimônia religiosa mesmo não teve nenhuma novidade: o padre leu aquela carta de São Paulo aos Coríntios sobre o amor e, contrariando um sonho de criança, não disse “Se alguém tiver algo contra esse casamento que fale agora ou se cale para sempre”. É para sempre, entende? Foi na festa depois da igreja que tudo começou.

Entrei no salão fingindo falar ao celular para evitar cumprimentos, abraços e há quanto tempos. Sentei estrategicamente perto da mesa de frios e longe da pista de dança. Mesmo no lugar esquecido em que estava, muitos primos, tios ou ex-vizinhos vieram me cumprimentar. Na dúvida, pedi a benção para todos. Foi aí que vi, duas mesas à frente, uma figura intrigante.

Era uma loira não muito bonita. Mesmo assim, na hora em que botei os olhos nela, pensei Eu conheço essa mulher, não sei de onde, mas conheço. E não era conhecer por conhecer, eu tinha certeza que era muito mais que isso. Caralho, eu a amo! Quando acabei de confessar isso mentalmente, ela me viu. E começou a andar na minha direção, sem desviar o olhar. Na metade do caminho ela começou a sorrir. “Inclusive! – disse ela me abraçando – “Há quanto tempo!” Oi! – respondi monossilábico. “Lembra de mim?” – ela, desconfiando que não, perguntou. Claro! Puxa, você sumiu do mapa, menina! “E você, Inclusive, não mudou nada!” Nem você, menina! – falei.

O jeito com que ela passou a mão nas minhas costas na hora do abraço não me deixou mais dúvidas: ela também estava apaixonada por mim. A diferença é que a Loira sabia muito bem quem eu era e eu não tinha a menor ideia de quem ela fosse. Nem o nome eu sabia. Mas isso não nos impediu de engatar um namoro naquela mesma noite.

Passaram quatro meses de namoro firme, sem nenhuma briga. Nunca tive grandes problemas por não saber quem ela era, era só chamar de “meu amor” e ficava tudo certo. Até que um dia nós dois fomos para a fazenda de um tio dela e, na hora em que a Loira me pediu para gravar nossos nomes com o canivete na árvore, tive um desespero súbito: como eu poderia confessar, depois de tudo, que não sabia o nome dela? Só me restava chutar mesmo. “Inclusive e Lígia”, arrisquei. “Seu bobo” – ela disse, rindo bastante – “assim eu fico com ciúmes!”

A única briga que tivemos foi quase uma semana depois. Enquanto ela dormia, abri sua bolsa no escuro procurando algum documento que me revelasse seu nome. O barulho de uma caixinha de tic tac me denunciou. A Loira levantou da cama, exaltada: “Por que você está mexendo na minha bolsa? O quê que tá havendo?”. Eu não tinha nenhuma desculpa. Resolvi contar tudo de uma vez: “Olha, Loira, eu não sei o seu nome, sabe? Desculpa, mas eu não sei, pô. Nem lembro de você. Abri a bolsa pra ver se acho sua identidade, CNH, sei lá. Qualquer coisa que tivesse escrito o seu nome”. Eu já começava a me vestir para ir embora quando ela repentinamente desatou a rir. Isso mesmo, rir: “Ai, Inclusive, só você mesmo pra ter senso de humor à essa hora da madrugada”. Dentre todas as suas qualidades, estava, claro, a de ser compreensiva. Depois dessa eu não podia fazer outra coisa a não ser pedi-la em casamento.

Já na igreja, eu lá na frente, no altar, e nada da Loira chegar. Claro, como eu não tinha pensado nisso antes? Uma mulher tão perfeita não poderia nunca se casar comigo. Deve ter desistido, a coitada. Mas não, lá está ela, a Loira, entrando. E como está linda. Depois da habitual leitura da carta aos Coríntios, o padre diz “Inclusive Trégua, você aceita Érika Alves como sua legítima esposa?”. Érika? A Loira é a Érika, então? Agora eu lembrava de tudo. E não estava gostando nada disso.

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